Ordem de São Bento

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São Bento nasceu em Nursia, nos montes da Sabínia, pelos fins do século V (cerca de 480). Estudou primeiro em Roma; depois, muito jovem ainda, optou pela vida ascética como a via que deveria conduzi-lo seguramente para Deus. Iniciou-a em Affila (Enfide); em seguida, adentrou-se mais na solitude e se instalou numa gruta em Subiaco, onde viveu vários anos como eremita. Os monges de Vicovaro escolheram-no como abade. Essa primeira experiência teve como saldo um fracasso e Bento retornou a Subiaco onde discípulos vieram se agrupar em torno dele. Mais tarde, acompanhado de alguns monges, foi se instalar no cimo de Monte Cassino e tornou-se o pai de muitas comunidades de monges, para os quais escreveu a Regra.

Esta regra se tornou, do século VIII ao XIII, a de quase todos os Monges do Ocidente, e recomendada pela sua discrição e facilidade em adaptar-se a todos os tempos e países.

São Bento foi declarado Patrono da Europa. E o fundamento desse patrocínio está na majestosa obra civilizadora realizada pelos beneditinos. Foram na verdade os construtores da Europa.

Todos os santos confiaram no espiritual, mas poucos mostraram como ele a eficácia de confiar na primazia do espiritual para chegar a uma construção na ordem temporal, na promoção da vida civilizada e do progresso terrestre. A educação é o caminho normal de reformar, começando por dentro; de dar, ensinando a produzir. Esse foi o princípio de sua grande ação civilizadora. O seu ponto de partida foi a oração.

Foi com essa força silenciosa da oração que os beneditinos deixaram sua marca impressa no mundo medieval e é essa força da oração que torna os mosteiros um centro de atração.

À oração se ligou, como um irmão, o trabalho. Por isso, Ora et Labora, tornou-se desde cedo uma divisa beneditina. Os monges beneditinos contribuíram para o bem público, reconstruindo pontes ruídas, estradas desfeitas, diques rompidos, realizando uma série de obras de competência do poder civil.

Clientela regular dos mosteiros beneditinos eram os prisioneiros, os escravizados, os estrangeiros, os indigentes, os órfãos, os velhos, os enfermos, enfim a massa imensa dos necessitados e carentes, atendidos seja por meio de abrigos ou acantonamentos instalados nos campos dos mosteiros, seja por meio de esmolas e socorro em espécie, tais como roupas e alimentos. Daí surgiram as hospedarias beneditinas, existentes na maioria dos mosteiros, e toda a tradição da hospitalidade beneditina. São Bento atribui ao ofício coral a mais alta significação na vida do mosteiro. O coro é o meio fundamental na procura de Deus. É o lugar do diálogo, mas a linguagem é do Espírito Santo.

São 14 séculos de vida beneditina, que legaram uma espiritualidade profunda e que pode ser vivida tanto por monges quanto por leigos, e que tem como bases:

Obediência - como maneira de retornar ao convívio com Deus do qual nos afastamos pelo pecado

Humildade – vivida como "mistério", isto é, uma atitude que se toma, uma situação que se vive e que, por graça de Deus, nos coloca na esfera da ação do Cristo em nós, ou melhor, nos identifica com Ele

Hospitalidade – como forma mais autêntica de apostolado beneditino.

Silêncio – como meio de reverência ao outro e também como atitude de receptividade diante de Deus. “Fala, Senhor, que teu servo escuta.” (1 Sm 3, 10)

Lectio Divina - é uma atividade sagrada que tem por finalidade adquirir a sabedoria. Consiste em concentrar toda a atenção da alma no texto, para lhe saborear a essência e despertar o desejo de Deus.

Vivência da palavra de Deus – Munido com a Palavra de Deus, o monge combate e trabalha a fim de a inserir na vida, confiante na sua eficiência e apoiado na força de Deus.

Nada antepor a Cristo – Cristo é Senhor e o monge é o seu servo. E devido à extensão do senhorio de Cristo, o serviço do monge é total e universal. A vida do monge é seguir e imitar Cristo.

Ofício Divino – É uma oração em linguagem sobre humana, isto é, numa linguagem que Deus deu ao homem para que pudesse ser adequadamente louvado.

Oração – A vida inteira do monge é um esforço de oração; esse esforço apóia-se em momentos privilegiados, tempos fortes que voltam a dar impulso à oração incessante. A consciência do olhar de Deus sobre si em todo o tempo e momento, é uma forma de oração contínua.

Textos extraídos das obras:
Oury, Guy-Marie – Bento, Homem de Fé, Edições Lumen Christi
D. Lourenço de Almeida Prado, OSB – São Bento, o Eterno no Tempo, Edições Lumen Christi
www.estudosmonásticos.com.br - Abade Joaquim Zamith, OSB – artigo A Escola da Verdade e da Humildade

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