"...porque então são verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos Pais e os Apóstolos.

 (RB 48,8)

 

O trabalho também ocupa um amplo espaço no dia-a-dia dos monges no tocante ao tempo, até mesmo mais espaço do que a oração e a leitura, os outros pólos da vida espiritual. Bento exige que todos os monges trabalhem. Ele pensa aqui nas diferentes formas de trabalho: serviços dentro da comunidade, como cozinhar, servir à mesa, serviço de portaria, cuidar dos enfermos, administração, trabalho nos campos, nas diferentes oficinas e na construção

Na literatura monástica apresentam-se diversas razões para a necessidade do trabalho. A primeira é o fato de ser o trabalho necessário para o sustento da própria vida. Assim o monge experimenta a sua condição humana, a fraqueza e a fragilidade de sua natureza.

A segunda razão é o afastamento do mundo. Se os monges não trabalhassem e a apenas rezassem, deveriam depender de seus benfeitores, ele não estaria livre dos apegos humanos.

O terceiro motivo é para cumprir o mandamento do amor ao próximo, pois com o resultado do seu trabalho podem ajudar as pessoas.

A quarta razão é o fato de o trabalho ser também um exercício ascético que os fazia progredir na pureza de coração tanto como o silêncio e o jejum.

A atitude de oração deve se tornar viva e presente durante o trabalho. E para isso devemos viver sempre na presença de Deus.

Deus é o companheiro de trabalho do monge. Durante as horas de trabalho é possível rezar através de jaculatórias ou dos salmos, e da oração contínua (oração de Jesus)

Orar durante o trabalho é prolongar a oração durante o período de trabalho, mas também caracterizar o comportamento no trabalho e na convivência com as pessoas. O trabalho deve ser realizado numa atitude espiritual.

No Mosteiro de São João, as monjas dedicam-se aos mais diversos trabalhos, mediante os quais cuidam da chácara e da casa e provêm o próprio sustento. São eles:

Trabalho doméstico na cozinha, atendimento a portaria, servir as mesas, limpeza, cuidar das monjas enfermas

Trabalho nas Oficinas de artesanato, através dos quais confeccionam peças de pirogravura, de flores desidratadas, pinturas, velas decoradas

Trabalho na padaria artesanal produzindo biscoitos, pães, bolos, geléias e doces.

Trabalho na evangelização através da Catequese de Primeira Eucaristia, Crisma e Catequese de Adultos, e com a Associação dos Oblatos do Mosteiro.[i]




Textos extraídos do livro Orar e Trabalhar, da Editora Vozes, de autoria de Anselm Grun e Fidelis Rupert, 1ª edição, 2005