CAPÍTULO 53 - Da recepção dos hóspedes

[1] Todos os hóspedes que chegarem ao mosteiro sejam recebidos como o Cristo, pois Ele próprio irá dizer: "Fui hóspede e me recebestes". [2] E se dispense a todos a devida honra, principalmente aos irmãos na fé e aos peregrinos. [3] Logo que um hóspede for anunciado, corra-lhe ao encontro o superior ou os irmãos, com toda a solicitude da caridade; [4] primeiro, rezem em comum e assim se associem na paz. [5] Não seja oferecido esse ósculo da paz sem que, antes, tenha havido a oração, por causa das ilusões diabólicas. [6] Nessa mesma saudação mostre-se toda a humildade. Em todos os hóspedes que chegam e que saem, adore-se, [7] com a cabeça inclinada ou com todo o corpo prostrado por terra, o Cristo que é recebido na pessoa deles.

[8] Recebidos os hóspedes, sejam conduzidos para a oração e depois sente-se com eles o superior ou quem esse ordenar. [9] Leia-se diante do hóspede a lei divina para que se edifique e depois disso apresente-se-lhe um tratamento cheio de humanidade. [10] Seja o jejum rompido pelo superior por causa dos hóspedes; a não ser que se trate de um dos dias principais de jejum, que não se possa violar; [11] mas os irmãos continuem a observar as normas de jejum. [12] Que o Abade sirva a água para as mãos dos hóspedes; [13] lave o Abade, bem assim como toda a comunidade, os pés de todos os hóspedes; [14] depois de lavá-los, digam o versículo: "Recebemos, Senhor, vossa misericórdia no meio de vosso templo". [15] Mostre-se principalmente um cuidado solícito na recepção dos pobres e peregrinos, porque sobretudo na pessoa desses, Cristo é recebido; de resto o poder dos ricos, por si só, já exige que se lhes prestem honras.

[16] Seja a cozinha do Abade e dos hóspedes separada, de modo que os irmãos não sejam incomodados, com a chegada, em horas incertas, dos hóspedes, que nunca faltam no mosteiro. [17] Entrem todos os anos para o trabalho dessa cozinha dois irmãos que desempenhem bem esse ofício. [18] Sejam-lhes concedidos auxiliares quando precisarem, para que sirvam sem murmuração; e do mesmo modo, quando têm menos ocupação, deixem esse ofício, para trabalhar no que lhes for ordenado. [19] E não só em relação a esses, mas em todos os ofícios do mosteiro, seja este o critério: se precisarem de auxiliares, [20] sejam-lhes concedidos; por outro lado, quando estão livres, obedeçam ao que lhes for ordenado. [21] Do mesmo modo, cuide do recinto reservado aos hóspedes um irmão cuja alma seja possuída pelo temor de Deus: [22] haja ali leitos suficientemente arrumados e seja a casa de Deus sabiamente administrada por monges sábios. [23] De modo algum se associe ou converse com os hóspedes quem não tiver recebido permissão: [24] se encontrar ou vir algum deles, saúde-o humildemente, como dissemos, e, pedida a bênção, afaste-se, dizendo não lhe ser permitido conversar com os hóspedes.