CAPÍTULO 49 - Da observância da Quaresma

[1] Se bem que a vida do monge deva ser, em todo tempo, uma observância de Quaresma, [2] como, porém, esta força é de poucos, por isso aconselhamos os monges a guardarem, com toda a pureza, a sua vida nesses dias de Quaresma [3] e também a apagarem, nesses santos dias, todas as negligências dos outros tempos. [4] E isso será feito dignamente, se nos preservamos de todos os vícios e nos entregamos à oração com lágrimas, à leitura, à compunção do coração e à abstinência. [5] Acrescentemos, portanto, nesses dias, alguma coisa ao encargo habitual da nossa servidão: orações especiais, abstinência de comida e bebida; [6] e assim ofereça cada um a Deus, de espontânea vontade, com a alegria do Espírito Santo, alguma coisa além da medida estabelecida para si; [7] isto é: subtraia ao seu corpo algo da comida, da bebida, do sono, da conversa, da escurrilidade, e, na alegria do desejo espiritual, espere a Santa Páscoa. [8] Entretanto, mesmo aquilo que cada um oferece, sugira-o ao seu Abade, e seja realizado com a oração e a vontade dele, [9] pois o que é feito sem a permissão do pai espiritual será reputado como presunção e vanglória e não como digno de recompensa. [10] Portanto, tudo deve ser feito com a vontade do Abade.