CAPÍTULO 3 - Da convocação dos irmãos a conselho

 

[1] Todas as vezes que deverem ser feitas coisas importantes no mosteiro, convoque o Abade toda a comunidade e diga ele próprio de que se trata. [2] Ouvindo o conselho dos irmãos, considere consigo mesmo e faça o que julgar mais útil. [3] Dissemos que todos fossem chamados a conselho porque muitas vezes o Senhor revela ao mais moço o que é melhor. [4] Dêem pois os irmãos o seu conselho com toda a submissão da humildade e não ousem defender arrogantemente o seu parecer, e [5] que a solução dependa antes do arbítrio do Abade, e todos lhe obedeçam no que ele tiver julgado ser mais salutar; [6] mas, assim como convém aos discípulos obedecer ao mestre, também a este convém dispor todas as coisas com prudência e justiça.

[7] Em tudo, pois, sigam todos a Regra como mestra, nem dela se desvie alguém temerariamente. [8] Ninguém, no mosteiro, siga a vontade do próprio coração, [9] nem ouse discutir insolentemente com seu abade, nem mesmo discutir com ele fora do mosteiro. [10] E, se ousar fazê-lo, seja submetido à disciplina regular. [11] No entanto, que o próprio abade faça tudo com temor de Deus e observância da Regra, cônscio de que, sem dúvida alguma, de todos os seus juízos deverá dar contas a Deus, justíssimo juiz. [12] Se, porém, for preciso fazer alguma coisa de menor importância dentre os negócios do mosteiro, use o Abade somente do conselho dos mais velhos, [13] conforme o que está escrito: "Faze tudo com conselho e depois de feito não te arrependerás".